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Exposição “Gaúchos” leva a cultura e as tradições do Uruguai a museus e galerias internacionais

Fotografias de Luis Fabini percorrem museus e galerias da Europa e da Ásia, aproximando tradições equestres e valorizando o patrimônio cultural uruguaio.

Redação Diplomacia Business

30/10/2026 · 05h25

O gado integra a paisagem rural uruguaia e representa uma parte importante da tradição pecuária e da identidade cultural do país.Foto: Luis Fabini / Ministério das Relações Exteriores do Uruguai.

Entre campos abertos, cavalos e paisagens que preservam a memória da vida rural, a exposição fotográfica Gaúchos, do uruguaio Luis Fabini, apresenta ao mundo uma das expressões mais emblemáticas da identidade cultural do Uruguai. Em imagens que combinam sensibilidade artística e registro documental, a mostra revela o cotidiano dos gaúchos, seus costumes e a relação profunda com a terra, os animais e uma tradição que atravessa gerações.

Em circulação internacional, a exposição transforma a fotografia em uma ponte entre culturas. Promovida pelo Ministério das Relações Exteriores do Uruguai e pelo Instituto Nacional da Carne (INAC), a iniciativa percorre importantes espaços culturais e instituições internacionais, levando ao público estrangeiro aspectos do patrimônio rural e produtivo do país. A proposta também integra a estratégia uruguaia de diplomacia cultural, que utiliza a arte para estimular o intercâmbio e fortalecer os vínculos entre as nações.

Tradições que aproximam diferentes povos

Na Indonésia, Gaúchos integrou a exposição Panorámica, realizada na Galeria Nacional da Indonésia durante as comemorações dos 60 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Ao lado da obra Infinite Down, do artista uruguaio Juan Manuel Rodríguez, a mostra atraiu mais de 1.200 visitantes nos três primeiros dias, acompanhada por atividades de intercâmbio com estudantes de arte.

Na China, as fotografias chegaram ao complexo Three Garden Road, em Hong Kong, e também foram apresentadas em Chongqing e Guangzhou. As exposições destacaram as afinidades entre a cultura equestre uruguaia e as tradições pastoris chinesas, especialmente as da Mongólia Interior. Nesse encontro de paisagens e costumes, a figura do gaúcho revelou semelhanças com comunidades que também construíram suas identidades em torno dos animais, dos campos e do trabalho rural.

Em Roma, a mostra integrou o programa Uruguai: Uma Viagem pelos Sentidos, realizado no Museu e Rede de Alimentação e Agricultura (MuNe), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no contexto do Ano Internacional dos Campos e dos Pastores. A programação incluiu oficinas de culinária uruguaia e degustações de carnes locais, aproximando fotografia, gastronomia e produção agropecuária em uma experiência dedicada à cultura do país.

Gaúchos e cossacos: histórias conectadas pelos cavalos

Na Rússia, a exposição foi apresentada na sede do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, antes de seguir para o Museu Tsaritsyno, no Salão Kazakov do Grande Palácio. A abertura contou com a presença do vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, e ressaltou a importância da cultura no fortalecimento das relações bilaterais.

Um dos aspectos mais interessantes da mostra é o diálogo entre os gaúchos uruguaios e os cossacos russos. Embora pertençam a contextos históricos distintos, ambos estão associados à vida em territórios abertos, à habilidade com os cavalos e a valores como autonomia, resistência e independência. Enquanto os cossacos ocuparam um lugar de destaque na história militar russa, os gaúchos participaram das guerras de independência sul-americanas e se tornaram referências fundamentais da identidade cultural do Rio da Prata.

A circulação internacional de Gaúchos inclui ainda instituições como a Galeria da Fundação Coreia, em Seul; o Museu Nacional de Arte da China, em Pequim; os museus de Zaozhuang e Qingdao; a Galeria Luo Chuanjia; o espaço cultural Halles Saint-Géry, em Bruxelas; o Palácio das Nações Unidas, em Genebra; e o Museu das Américas, em Madri.

Luis Fabini e a arte de documentar identidades

Nascido no Uruguai, em 1965, Luis Fabini é fotógrafo autodidata e vive atualmente em Nova York. Criado entre a América do Sul, a Europa e os Estados Unidos, dedica-se desde 2000 a documentar o patrimônio cultural e as tradições equestres de diferentes regiões das Américas.

Em Gaúchos, o artista passou meses convivendo com os personagens retratados, buscando compreender seus hábitos, sua relação com os cavalos e o significado de manter viva uma tradição em meio às transformações contemporâneas. O resultado é um registro que vai além da representação visual do campo: suas imagens revelam sentimentos de pertencimento, vínculos comunitários e modos de vida construídos ao longo do tempo.

A série deu origem ao livro Gauchos, publicado em 2012. Quatro anos depois, Fabini lançou Cowboys das Américas, obra que percorre o continente para retratar a relação entre seres humanos e cavalos, da Patagônia ao Canadá. Sua trajetória também inclui a exposição A Vida de um Mestre Zen, inspirada em sua experiência com o mestre zen Moriyama Roshi.

Atualmente, o fotógrafo desenvolve Harvest, projeto que investiga a relação entre as pessoas, os alimentos que produzem e os territórios que habitam, com registros de comunidades indígenas em diferentes partes do mundo.

Uma herança viva que atravessa fronteiras

A exposição Gaúchos reafirma a capacidade da fotografia de preservar memórias e apresentar diferentes culturas a novos públicos. Ao registrar a vida rural uruguaia com proximidade e sensibilidade, Fabini transforma cenas cotidianas em testemunhos de uma identidade que permanece viva, mesmo diante das mudanças sociais e econômicas.

A iniciativa é promovida pela Direção-Geral de Assuntos Culturais do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, em parceria com as embaixadas e os consulados do país, e financiada pelo Fundo de Promoção de Atividades Culturais no Exterior (FPACE), que recebeu uma contribuição especial do INAC.

É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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